domingo, 20 de fevereiro de 2011

A desigualde, que gera delitos, não é ocasional

Fica cada vez mais evidenciado que a desigualdade, social e econômica, está na raiz de muitos males de todas as nações. O Brasil é o sexto país do mundo mais violento, quando se considera o número de homicídios (cf. www.ipcluizflaviogomes.com.br). A criminalidade, quando exagerada (Durkheim), é um desses grandes males que todos nós gostaríamos que fossem extirpados, ou, pelo menos, que fossem eliminados os seus excessos.
Agora que estamos evoluindo a hipótese de que a desigualdade constituiu forte fator na gênese dos delitos (cf. o livro The Spirit Level: Why Greater Equality Makes Societies Stronger – “O nível espiritual: porque uma maior igualdade torna as sociedades mais fortes”, de autoria de dois epidemiologistas britânicos, Richard Wilkinson e Kate Picket, que foi comentado por Nicholas D. Kristof, no jornal O Estado de S. Paulo de 4/1/11, p. A12), convém que ela seja devidamente focada —se é que queremos ir fundo à raiz do problema da criminalidade violenta epidêmica.
Caro leitor: vamos fixar duas premissas para nossa reflexão conjunta: (a) A América Latina é a região mais desigual do planeta e uma das mais violentas do mundo; (b) essa desigualdade não é ocasional, efêmera, passageira; ou seja: ela é estrutural.
A América Latina tem o mais alto índice de desigualdade do mundo, no campo da distribuição de renda[1]. Mas porque essa desigualdade, no nosso entorno cultural, é constante permanente? Há muitas explicações para isso. Uma delas está atrelada à nossa formação cultural segregacionista, escravagista, separatista e discriminatória (cf. Luís Mir, Guerra civil).
Uma outra razão: consiste em continuarmos acreditando que essa brutal desigualdade seja passageira, contingente. Há uma teoria, ideologia, que crê nessa transitoriedade e é precisamente ela que precisa ser contestada, com veemência, tal como vem fazendo o sociólogo Jessé Souza, A invisibilidade da desigualdade brasileira.
De acordo com seus argumentos, as velhas teses da ideologia liberal (tradicional) de que os desiguais, pobres e miseráveis, possuem as mesmas capacidades disposicionais das classes superiores, de que a miséria e o miserável são contingentes ou fortuitos, não estruturais, de que a grande quantidade de marginalizados é puro acaso do destino, que sua situação pode ser revertida facilmente, bastando um programa de assistência do governo, já não podem ser aceitas sem contestação.
Cada dia fica mais evidente que a clássica visão do liberalismo econômico de que a sociedade é composta de pessoas intercambiáveis e fungíveis (homo economicus), com as mesmas disposições de comportamento e mesmas capacidades de disciplina, autocontrole e auto-responsabilidade, não passa de pura ideologia, muito distante da verdade.
Não temos que necessariamente continuar aceitando os velhos clichês conservadores, enquanto o modelo sócio-econômico e cultural brasileiro e latino-americano, para não dizer mundial, fundado na desigualdade e na discriminação étnica e social, prossegue na reprodução das classes marginalizadas, gerando um inóspito estado de mal-estar, de insegurança, de intranqüilidade, de infelicidade e de criminalidade epidêmica.
Enquanto não buscarmos as verdadeiras causas da criminalidade violenta, só nos resta, desgraçadamente, ir colhendo todos os funestos frutos da nossa sangrenta guerra civil de todos contra todos, que parimos no e para o nosso país: 46 mil assassinatos por ano, 37 mil mortes no trânsito, uma mulher agredida a cada 15 segundos, 500 mil presos distribuídos de forma totalmente desigual , 20,6 milhões de pessoas vítimas de furto e de roubo só no ano de 2009 etc.

Luiz Flávio Gomes -www.ultimainstancia.uol.com.br

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Cartas para Julieta

Eu e minha esposa assistimos este filme e gostamos muito principalmente pelo senso de família, que hoje em dia quase não tem, e pelas paisagens.

Deixe carregar por uns 30min antes de assistir...

Velhinha Profissional

Para rir um pouco...

Tempo para o exercício da fé

Fé é uma palavra pequena, mas de grande poder.
Não vamos tratá-la no contexto religioso, mas em toda sua amplitude: como a manifestação da convicção que não deixa a menor possibilidade à dúvida.
Nós usamos a palavra o tempo todo, como forma de incentivo e também como âncora, sem nos darmos conta.
Ainda que muitas vezes duvidemos de nossa capacidade de mantê-la, uma pequena chama a recupera.
A caminho de um desafio dizemos: - Eu creio ser o melhor. Vencerei!
Crer, como expressão de “eu acho”, não é fé!
Poderíamos dizer: Acredito que vencerei!
Acreditar, como expressão de “esperar”, não é fé!
Ou quem sabe, eu confio que vencerei!
Confiar, tendo algo ou alguém como “depositário”, não é fé!
E se usarmos a expressão “aposto que vencerei”, ai sim, definitivamente, não é fé, pois estamos arriscando um palpite.
Fé é a firme convicção de que algo é verdade, sem que seja necessária a apresentação de provas. A fé não necessita de argumentos de sustentação.
Quando analisamos situações em que a fé se apresenta e podemos observar de fato seus efeitos, vemos que esta desafia a lógica.
Falar sobre a fé nos bons momentos é fácil, quando enfrentarmos adversidades é que sentiremos se suas raízes estão bem plantadas em nós.
Alguns diriam que a fé depende de cultivo, sem isso ela se perde. Sendo a fé o ponto máximo, o retrocesso apenas não nos mostraria um crente descrente?
Ao nos depararmos com pessoas de fé é difícil imaginá-las nesse exercício, mas somos humanos e frágeis, cheio de dúvidas, sombras e vazios a serem preenchidos.
Vemos com freqüência aqueles que precisam descobrir a fé em constante e necessário questionamento para identificá-la.
Talvez os convictos tenham passado por esse estágio, alguns de forma mais lenta, outros nem tanto.
Seria possível alcançar a fé e perdê-la?
A vida nos dá e tira, nos alegra e entristece, nos oferece e nega sem que, muitas vezes, tenhamos forças para suplantar os obstáculos e alcançar nossos objetivos.
Nesses momentos é necessário parar um pouco e olhar lá dentro, para um pequeno ponto, muitas vezes adormecido, e fazê-lo despertar. Exatamente ali é que reside a fé.
Teriam as pessoas de fé o poder de manter esse ponto constantemente acordado, razão pela qual não as vemos duvidar? Ou quem sabe seu silêncio é a sua dúvida.
Ghandi, conhecedor do homem e da força da fé, dizia: “Meu esforço nunca deve ser o de diminuir a fé do outro, mas torná-lo um melhor seguidor de sua própria fé”. E assim fez. Com sua fé e com suas próprias palavras: “de modo suave sacudiu o mundo”.
O que era a fé para um pensador como Ghandi?
Dizia: “A fé não é algo para se entender, é um estado para se transformar”. Sutil, complexo, então reflitamos!
Anatole France, Nobel de Literatura em 1921, cujas publicações tinham tom céptico, disse: "Não tenho fé, mas quisera tê-la. Considero a fé o bem mais precioso deste mundo." Talvez tivesse e não soubesse. Segui-la não era problema, a questão era vislumbrá-la e entendê-la.
O filósofo espanhol Manuel Garcia Morente traz a fé à luz da reflexão quando afirma: “A fé é o complemento aperfeiçoado da razão."
Rabindranath Tagore, polímata, a mais destacada figura na literatura bengali, Nobel de literatura em 1913, que nutria profunda admiração por Ghandi, ao qual chamava Mahatma, nos presenteia com uma das mais belas definições de fé: "Fé é o pássaro que sente a luz e canta quando a madrugada é ainda escura."
Por todo seu mistério, beleza e força, é importante reservarmos um tempo para o exercício da fé.
Ivan Postigo - Diretor de Gestão Empresarial da Postigo Consultoria Comunicação e Gestão - ivan@postigoconsultoria.com.br

Mensagem do dia.


Seja qual for a estrada em que te encontres, não marginalizes.
Age e serve.

É bom pensar nisto!

É razoável pensar nisto
A paciência não é um vitral gracioso para as suas horas de lazer. É amparo destinado aos obstáculos.

A serenidade não é jardim para os seus dias dourados. É suprimento de paz para as decepções de seu caminho.

A calma não é harmonioso violino para as suas conversações agradáveis. É valor substancial para os seus entendimentos difíceis.

A tolerância não é saboroso vinho para os seus minutos de camaradagem. É porta valiosa para que você demonstre boa-vontade, ante os companheiros menos evolvidos.

A boa cooperação não é processo fácil de receber concurso alheio. É o meio de você ajudar ao companheiro que necessita.

A confiança não é um néctar para as suas noites de prata. É refugio certo para as ocasiões de tormenta.

O otimismo não constitui poltrona preguiçosa para os seus crepúsculos de anil. É manancial de forças para os seus dias de luta.

A resistência não é adorno verbalista. É sustento de sua fé.

A esperança não é genuflexório de simples contemplação. É energia para as realizações elevadas que competem ao seu espírito.

Virtude não é flor ornamental. É fruto abençoado do esforço próprio que você deve usar e engrandecer no momento oportuno.

É você mesmo!

Lembre-se de que você mesmo é:
o melhor secretário de sua tarefa,
o mais eficiente propagandista de seus ideais, a mais clara demonstração de seus princípios,
o mais alto padrão do ensino superior que seu espírito abraça e a mensagem viva das elevadas noções que você transmite aos
outros.

Não se esqueça, igualmente, de que:
o maior inimigo de suas realizações mais nobres,
a completa ou incompleta negação do idealismo sublime que você apregoa,
a nota discordante da sinfonia do bem que pretende executar, o arquiteto de suas aflições
e o destruidor de suas oportunidades de elevação.

— é você mesmo.

* * *

André Luiz

(Mensagem retirada do livro "Agenda Cristã" psicografia de Francisco Cândido Xavier)