domingo, 23 de janeiro de 2011

Algum erro cometido?

Reconsidere a própria atitude e não se constranja em aceitar as suas deficiências, de modo a corrigi-las.

A revolta envenena-lhe a alma?

A terra só é vale de lágrimas para os olhos do pessimismo.

Saudades aflitivas laceram-lhe a memória?

A mente é a nossa primeira farmácia.

Sente remorsos, à vista de antigos passos?

Homem algum na Terra pode gabar-se de santo.

Cartões corporativos

Segundo dados do Portal da Transparência da Controladoria-Geral da União, os gastos do governo do ídolo dos pés de barro com cartões corporativos no último ano chegaram a R$ 80 milhões. Em 2009, esse montante fechou em R$ 64,5 milhões, apontando salto de 24% nas despesas com cartões. O valor correspondente a 2010 ainda poderá ser ampliado com algumas despesas não lançadas, referentes à última quinzena do ano.

Ele não só comeu ! Lambuzou-se.

A tragédia como palanque

por Sergio Prata


No mesmo momento em que o Rio de Janeiro ainda conta seus mortos e procura pelos seus desaparecidos, o que no final das contas poderá vir a ser computado o inimaginável número de mais de 1.300 (mil e trezentos) mortos, nossos inescrupulosos políticos, como não podia deixar de ser, resolveram fazer uso da tragédia como palanque, aproveitando da fragilidade da população, que sequer pode se indignar, enquanto chora seus mortos e se aflige com seus desaparecidos.

O Rio de Janeiro vem se apequenando ao longo dos anos, alvo de políticas equivocadas de ocupação do solo, muitas delas já citadas em matérias anteriores, o que rotineiramente vem levando ao êxodo interno. Enquanto a capital, as médias cidades e as cidades em fase de industrialização e grandes investimentos recebem migrantes de todos os cantos do país, a população natural e/ou com mais de 20 (vinte) anos de moradia na região metropolitana, buscam outras paragens pelo interior, o que é observado de bom grado pelos políticos interioranos.

Não existe exceção! Por motivos óbvios os políticos do interior querem a ocupação do solo, transformando o que era rural em urbano, enquanto os políticos da região metropolitana sustentam com suas varinhas mágicas (as canetas) uma moradia sobre a outra em áreas de risco, na busca incessante pelo aumento da arrecadação e do quociente eleitoral, ignorando por completo os impactos ambientais e sociais, transformando os inocentes úteis, neo-citadinos, em massa de manobra.

Para que prevenir se é mais dispendioso remediar! Nossos políticos não estão preocupados com as vítimas, o que conta são os números e as estatísticas. Afinal, quem paga a conta é a “viúva”! Transformaram a tragédia em motivo para exploração política e banca de barganha, e hoje estamos diante da resposta que transformou a negligência em tragédia.

Porque nos últimos 4 (quatro) anos, dos quase R$ 1 trilhão de reais disponibilizados pelo MINISTÉRIO DA INTEGRAÇÃO NACIONAL para o PROGRAMA DE PREVENÇÃO E PREPARAÇÃO PARA DESASTRES, o estado do Rio de Janeiro recebeu um pouco mais de R$ 1 milhão, enquanto que o estado da Bahia, só no último exercício recebeu R$ 39,4 milhões do mesmo programa?

Louco pela mídia, o Prefeito da Capital do estado do Rio de Janeiro voltou para si o foco das lentes e dos refletores, e se antecipando aos recursos do governo federal criou o sistema de alerta de desastres naturais a partir das informações captadas pelo radar metereológico da prefeitura, que identifica a probabilidade de chuvas, instalando a primeira base no Morro do Borel, na Zona Norte da cidade, que se funcionar, poderá vir a garantir a manutenção de milhares de vidas.

Embora o Prefeito não tenha informado de onde partem os recursos para atender as necessidades de 117 (cento e dezessete) comunidades com milhares de moradias em área de risco, equivocadamente do ponto de vista lógico, mas corretamente do seu ponto de vista político, garantiu que não promoverá a retirada das famílias e que não demolirá as moradias instaladas nas áreas de risco, informando ainda que desenvolverá obras de contenção das encostas naqueles locais.

Quem viver verá!

Será?

http://diapasaonoticias.blogspot.com/

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

O último exorcismo

Veja este filme. Eu e minha esposa gostamos muito.
Veja como existem pessoas loucas no mundo.
Perca um pouco de tempo, pois vale a pena...

Para ver este filme, baixe e instale no seu computador este
programa


quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Vida abundante

Richard Simonetti

Curiosamente , não obstante as indicações claras, os exemplos objetivos de Jesus, raros conquistam a vida abundante.

Por que?

Talvez seja um problema de bússola...

Sim, é preciso verificar qual estamos usando para encontrar os mananciais desejados.

Geralmente usamos aquela cujo ponteiro está voltado para nós mesmos.

É a bússola do egoísmo.

Acostumados a orientar nossas ações pela ótica dos interesses pessoais, quase sempre preocupamo-nos com o que possamos receber em favor de nosso bem-estar.

Pensamos muito nos deveres do próximo em relação a nós.

Raramente cogitamos de nossas obrigações diante dele.

Quando cristalizamos essa tendência a vida murcha onde pisamos.

O marido que critica a esposa com problemas na cozinha está defendendo seu paladar.

A mulher que agride o marido desempregado pensa em sua segurança.

O professor que humilha o aluno em dificuldade disfarça a própria incompetência.

É preciso usar a bússola certa.

Aquela que aponta em outra direção:

O próximo.

Tendo suficiente justificativa para mil frustrações, *Sheldon preferia preocupar-se com os problemas alheios, distribuindo otimismo e
coragem, minimizando seus próprios sofrimentos e vivendo em plenitude.

Por isso, era um doador de vida, embora, aparentemente, a vida fosse tão escassa nele.

***

Assim é o cristão autêntico, aquele que faz do empenho de servir o seu ideal, a sua meta, a sua alegria.

Doando-se, distribui vida, reanima os combalidos, incentiva os lutadores, consola os aflitos, ampara os fracos, cuida dos enfermos, faz sempre o melhor!

E quanto mais vida distribui, mais ela brota em seu espírito, estuante e gloriosa!

Vida em abundância!

* Edward Sheldon, figura lendária nos palcos de Nova York. Aos trinta anos foi atacado por uma artrite progressiva, tão terrível que o paralisou por completo e acabou por torná-lo cego.

Richard Simonetti
Do livro “O destino em suas mãos”

Urgente: Ameaça concreta contra direitos sociais

Maria Lucia Fattorelli

Diversas matérias jornalísticas divulgadas nos últimos dias comprovam que o plano do novo governo é reduzir os gastos sociais, para que sobre mais recursos para o pagamento dos juros da dívida pública.
As matérias tentam impor ao funcionalismo público, previdência, assistência e demais gastos sociais a responsabilidade pelo desequilíbrio das contas públicas. Na realidade, o rombo está no pagamento dos maiores juros do mundo, calculados sobre uma dívida que não tem contrapartida real, feita de juros sobre juros; golpes sobre golpes, como comprovou a recém CPI da Dívida Pública na Câmara dos Deputados.
O massacre planejado contra os servidores e beneficiários da Previdência e Assistência Social é flagrante:
Durante reunião com a presidente eleita Dilma Rousseff, na segunda-feira, o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, apresentou uma proposta de política fiscal para o país, cuja essência é que as despesas correntes primárias cresçam menos que o Produto Interno Bruto (PIB). Essas despesas são aquelas relacionadas com o pagamento de salários do funcionalismo, com a previdência e assistência social e o custeio da máquina pública. Elas não incluem o pagamento dos juros das dívidas públicas e os investimentos. (Valor Econômico - 10/11/2010)
A iminência de nova Reforma da Previdência para reduzir gastos sociais também é flagrante. O ministro Paulo Bernardo já declarou que pretende limitar as despesas correntes à metade do crescimento do PIB, o que poderá ser aprovado com facilidade no Congresso, face à composição da futura base do governo Dilma naquela Casa, suficiente para aprovar a reforma da Previdência:

"Outra preocupação do governo é com o déficit da Previdência. Para o ministro, não é possível dar aumento real para os benefícios acima de um salário mínimo. Sobre a reforma da Previdência, Bernardo considera que, em algum momento, isso deverá feito e que "antecipar isso para um bom momento político" pode ser uma boa ideia.” (O Estado de São Paulo, 11/11/2010)

As matérias acima e outras sobre o tema podem ser lidas nos links a seguir:

Projeto de domar a gastança - Gabriel Caprioli - Correio Braziliense - 10/11/2010
http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2010/11/10/projeto-de-domar-a-gastanca
Dilma tentará impor teto para gastos - Agencia o Globo/Cristiane Jungblut - O Globo - 10/11/2010
http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2010/11/10/dilma-tentara-impor-teto-para-gastos
Bernardo defende que Dilma gaste menos - Ribamar Oliveira - Valor Econômico - 10/11/2010
http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2010/11/10/bernardo-defende-que-dilma-gaste-menos
Bernardo retoma plano ‘rudimentar’ de ajuste - Lu Aiko Otta - O Estado de S. Paulo - 10/11/2010
http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2010/11/10/bernardo-retoma-plano-2018rudimentar2019-de-ajuste
Bernardo vê espaço para dobrar investimento público - Fabio Graner - O Estado de S. Paulo - 11/11/2010
http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2010/11/11/bernardo-ve-espaco-para-dobrar-investimento-publico

O sistema de privilégio da dívida pública - que beneficia grandes bancos e corporações - é produto de fraudes denunciadas pela CPI da Dívida Pública e que precisam ter sua investigação aprofundada e devidamente denunciada, para que os recursos parem de se esvair no ralo dos juros e sejam destinados ao cumprimento dos direitos humanos da sociedade brasileira.
O gráfico a seguir, que retrata a distribuição dos recursos do Orçamento Geral da União em 2009, demonstra que o pagamento de juros e amortizações da dívida federal consumiu 36% dos recursos, correspondente a R$ 380 bilhões, ou seja mais de R$ 1 bilhão POR DIA!

Se considerarmos também a rolagem da dívida – que é a parcela da amortização da dívida paga com a emissão de novos títulos públicos – os gastos com a dívida consumiram em 2009 nada menos que 48% dos recursos.
Devido ao crescimento acelerado do estoque da dívida pública – a Interna já ultrapassa R$ 2,3 trilhões e a Externa US$ 300 bilhões – esta consome cada vez parcela mais relevante dos recursos para o cumprimento de seu serviço: pagamento de juros e amortizações.
Dentre as ameaças aos servidores públicos que se encontram em gestação, merecem ser destacadas algumas, pois terão impacto também sobre os servidores da esfera estadual e sobre toda a sociedade que demanda serviços públicos:

• PLP 549/2009, que congela os salários dos servidores públicos por 10 anos, enquanto a dívida pública recebe remuneração garantida todos os anos, pelos maiores juros do mundo;
• Anúncio, pelo Ministério da Previdência, de "necessidade" de nova Reforma da Previdência dos servidores e regime geral, aumentando ainda mais a idade para aposentadoria e redução de benefícios (é importante ressaltar que o Presidente Lula vetou - no dia da estréia do Brasil na Copa do Mundo - o fim do fator previdenciário que havia sido aprovado no Congresso Nacional);
• PEC 233/2008, que propõe uma reforma tributária que altera o financiamento da Seguridade Social (na medida em que transforma as contribuições sociais - que tem destinação vinculada - em impostos);
• Limitação dos “gastos primários”, ou seja, limitação de todos os gastos sociais, enquanto para os gastos com a dívida não são estabelecidos quaisquer limites.

Essas ameaças de cortes de gastos sociais se tornam especialmente preocupantes diante da conjuntura internacional de crise financeira, que atingiu fortemente os EUA, países da Europa, e estão servindo de argumento para a aplicação de medidas de ajuste neoliberal aqui no Brasil, agora que passaram as eleições. Muitas das medidas aplicadas nos países europeus também já se encontram em gestação aqui no Brasil, como o congelamento de salários de servidores e redução de benefícios e direitos previdenciários, acima mencionadas. Tais medidas representam a subtração de recursos de áreas essenciais para que tais recursos se destinem ao pagamento dos juros da dívida pública, que nunca foi auditada, como determina a Constituição.
No Brasil, a recente CPI da Dívida Pública realizada na Câmara dos Deputados apontou uma série de graves indícios de ilegalidades e ilegitimidades no processo de endividamento brasileiro, tendo o Relatório Final da CPI reconhecido, em seu diagnóstico, que:

 as elevadíssimas taxas de juros (não-civilizadas) foram o fator mais importante para o crescimento da dívida, inclusive dos estados e municípios;
 a dívida interna cresceu nos últimos anos para financiar a compra de dólares das reservas internacionais, com grande custo para as contas públicas;
 o Senado Federal renunciou a sua competência, pois permitiu emissões de títulos sem especificar suas características;
 há falta de transparência na divulgação dos números da dívida, bem como falta de informações e documentos à CPI;
 o montante dos gastos com juros da dívida divulgado pelo governo é menor do que o efetivamente gasto. Isto porque os juros anunciados pelo governo se referem somente aos “juros reais”, ou seja, descontada a inflação. A outra parcela dos juros (ou seja, referente à atualização monetária da dívida) é contabilizada equivocadamente como “amortizações”.

Apesar do grave diagnóstico, contraditoriamente o Relatório Final não admitiu ter encontrado irregularidades no endividamento, não recomendou a auditoria da dívida (prevista na Constituição) e também não recomendou acionar o Ministério Público para o aprofundamento das investigações. Porém, a pressão constante das entidades da sociedade civil que participaram das sessões da CPI fez com que somente 1/3 dos 24 membros da CPI votassem a favor deste “Relatório-Pizza”, que foi aprovado pelo apertado placar de 8 a 5.
A pressão das entidades também fez com que 8 deputados da CPI assinassem o “Voto em Separado” do Dep. Ivan Valente (PSOL/SP), que pede a auditoria da dívida, e o encaminhamento ao Ministério Público de diversos indícios de ilegalidades apuradas, dentre eles:

• Juros sobre Juros (Anatocismo), ilegal segundo o STF;
• Juros flutuantes na dívida externa – ilegais segundo a Convenção de Viena
• Ausência de contratos e documentos; ausência de conciliação de cifras; clausulas ilegítimas;
• Ilegalidade do livre fluxo de capitais, que deu origem à dívida interna;
• A grande destinação dos recursos orçamentários para o pagamento da dívida viola os direitos humanos e sociais;
• O Banco Central faz reuniões com os bancos e outros rentistas para definir as previsões de inflação, que definem as taxas de juros.

Este Voto em Separado já foi entregue ao Ministério Público, cabendo às autoridades e à sociedade civil acompanharem de perto esse processo, para que sejam aprofundadas as investigações e elaboradas as ações judiciais cabíveis.
A despeito das diversas ilicitudes apontadas pela CPI, o pagamento do serviço da dívida goza de imenso privilégio, em detrimento do sacrifício do povo brasileiro, que arca com elevada carga tributária e não recebe o devido retorno em serviços públicos. Além dos crescentes contingenciamentos efetuados para produzir o superávit primário, diversas outras fontes alimentam o pagamento dos juros e amortizações da dívida, principalmente os seguintes:

a) lucros das estatais (por isso é que elas se endividam para realizar investimentos, apesar de altamente lucrativas, pois seus lucros distribuídos ao governo não são destinados a reinvestimentos, mas para pagar dívida);
b) lucro do Banco Central (quando há lucro, esse vai para pagar dívida; quando dá prejuízo, como em 2009 - de R$ 147 bilhões - o Tesouro Nacional cobre com recursos decorrentes de excesso de arrecadação ou emissão de novos títulos da dívida);
c) recebimento de juros e amortizações da questionável dívida dos estados e municípios com a União (todo sacrifício dos entes federados - cerca de 13% de sua receita - é destinado para o pagamento da dívida);
d) emissão de novos títulos;
e) As Medidas Provisórias 435 e 450 (já foram transformadas em lei) determinam que toda sobra de recursos orçamentários vinculados por lei a áreas sociais, que não chegaram a ser executados, podem ser destinados ao pagamento da dívida, ou seja, ao final do ano, há uma “limpa geral” no caixa e os recursos vão para pagar juros e amortizações;
f) o rendimento dos recursos da Conta Única do Tesouro, depositados no Banco Central.

Além de todas essas verbas, novas medidas estão sendo programadas pelo próximo governo para cortar gastos sociais a fim de destinar ainda mais recursos para o pagamento dos juros. Por isso é urgente estancar essa sangria, realizando-se a AUDITORIA DA DÍVIDA.
Nesse contexto de corte de gastos, evidenciam-se anúncios de que alguns setores de alto escalão deverão receber a devida atenção, conforme recado dado pela grande mídia:
Em visita à Coreia do Sul, a presidente eleita, Dilma Rousseff, disse que, se não houver aumento salarial no Executivo, "não vamos ter ministros no Brasil", mas se recusou a falar sobre eventuais reajustes nas remunerações do Congresso e do Supremo Tribunal Federal. (Folha Online - 11/11/2010).
Merece destaque também o fato de que a mesma página do jornal Valor Econômico de 10/11/2010, que noticiou a necessidade de corte de despesas com pessoal e previdência, informou também sobre a previsão de recursos para aumento para o Supremo Tribunal Federal:

As autoridades que comandam os poderes constituídos da República precisam tomar posição pública em relação ao problema do endividamento público brasileiro, especialmente face às denúncias e indícios de ilegalidades documentados pela CPI.
Há décadas o endividamento público tem sido utilizado como instrumento de especulação e saque de recursos públicos. Até mesmo os poços de petróleo do pré-sal foram vendidos pela União à Petrobrás para obter superávit primário, ou seja, a reserva de recursos para o pagamento da dívida. É importante lembrar que a maior parte dos lucros distribuídos pela Petrobrás vai para os investidores privados, e a parcela que vai para o governo é destinada, por lei, para o pagamento da dívida.
O sacrifício social decorrente da utilização da dívida como instrumento de especulação é imenso, enquanto o bilionário lucro dos bancos cresce exponencialmente e as transferências de lucros ao exterior tem ultrapassado todas as expectativas. Ao mesmo tempo o Banco Central contabiliza prejuízos bilionários (R$ 147 bilhões em 2009) e o povo, que paga a conta mediante o pagamento de elevada carga tributária, tem o direito de saber a destinação dada a esses recursos, pois apenas uma pequena parcela é direcionada a serviços e investimentos públicos. É preciso dar maior transparência aos gastos financeiros e à esterilização de recursos para a composição do superávit primário e pagamento de juros.
Diante do exposto, é urgente mobilizar a sociedade para que esta não venha a ser ainda mais sacrificada, pois querem direcionar parcela ainda maior de recursos para os juros. Para isso, é preciso fortalecer o enfrentamento à política de endividamento público, divulgando a verdade dos fatos, especialmente diante da ausência de transparência e contrapartida dessa dívida para a sociedade. Entendemos que o primeiro passo é a realização de ampla e profunda auditoria da dívida, prevista na Constituição Federal, porém jamais realizada. A auditoria possibilitará o conhecimento real de todo o processo, baseado em provas e documentos.
O Equador demonstrou que é possível enfrentar o setor financeiro de forma soberana. A realização da auditoria oficial da dívida daquele país (2007/2008) foi instrumento essencial nesse processo, pois permitiu a redução da dívida externa com os bancos privados internacionais (Bonos Global 2012 e 2030) em 70%, enquanto os investimentos em saúde e educação quadruplicaram. Respaldado no relatório da auditoria, que foi devidamente referendado pelas instâncias jurídicas, o Presidente Rafael Correa apresentou uma proposta soberana no sentido de que aceitaria reconhecer apenas 25 a 30% dos mencionados títulos, sendo que 95% dos detentores dos mesmos acataram imediatamente tal proposta, sem qualquer contestação.
A experiência equatoriana abriu caminho para a CPI da Dívida no Brasil (2009/2010), que apurou graves indícios de ilegalidades e ilegitimidades que precisam ter sua investigação aprofundada, pois significam lesão ao patrimônio público, ofensa aos direitos humanos e desrespeito a diversos dispositivos constitucionais, conforme texto disponível na página da Auditoria Cidadã na internet .
Considerando o posicionamento noticiado pelos diversos veículos de comunicação nos últimos dias, de que o governo federal terá que limitar os gastos sociais em relação ao PIB - ou seja, impedir que os gastos sociais aumentem sua participação no bolo econômico nacional - para que os gastos com a dívida pública permaneçam sem limite, é fundamental que a sociedade civil se mobilize e exija o respeito aos Direitos Humanos no país, o cumprimento da Constituição Federal de 1988 e a realização da auditoria da dívida pública.

Brasil: governo Dilma anuncia ajuste fiscal drástico

por Auditoria Cidadã da Dívida [*]

O jornal Correio Braziliense de hoje faz uma cobertura completa das primeiras medidas a serem tomadas pela presidente Dilma Rousseff, confirmando todos os alertas dados por este boletim desde o ano passado, acerca do ajuste fiscal.

Este ajuste, denunciado diversas vezes pela Auditoria Cidadã, significará um corte de cerca de R$ 30 mil milhões [€11,17 mil milhões] no orçamento de 2011 e o congelamento dos salários dos servidores públicos, que não terão reajuste neste ano. Ou seja: conforme também alertado por esta seção, o governo já aplica, de fato, o Projeto de Lei Complementar (PLP) nº 549/2009, ao limitar o crescimento da folha de pagamento à inflação mais 2,5% ao ano, o que impede os reajustes e provoca a perda do valor real dos salários dos servidores.

Hoje à tarde, em entrevista coletiva à imprensa, o ministro da Fazenda negou que o montante do corte já tenha sido definido, porém, afirmou que "haverá uma posição forte do governo na redução de gastos", conforme mostra o Valor Online. Tais cortes, segundo ele, "colaborarão para a redução dos juros pelo Banco Central", ou seja: o governo insiste na idéia de que, para possibilitar a queda das maiores taxas de juros do mundo, antes seria necessário sinalizar ao "mercado" um comprometimento maior ainda com o pagamento da dívida. Segundo o jornal Correio Braziliense, "a área econômica avalia que o ajuste fiscal a ser anunciado precisa ser duro, convincente e eficaz".

Somente depois disso é que o Banco Central poderia reduzir as taxas de juros. Porém, o país aplica a política de ajuste fiscal há mais de uma década e os juros continuam a ser os maiores do mundo.

Durante a entrevista, o ministro afirmou que o governo vetará qualquer aumento dado pelo Congresso ao salário mínimo de R$ 540 [€201], constante da Medida Provisória nº 516, encaminhada pelo governo ao Legislativo no dia 30 de dezembro de 2010. A justificativa é sempre a de que a Previdência não tem recursos, ignorando que esta área social está inserida na Seguridade Social que é amplamente superavitária, mas cujos recursos são destinados para o pagamento da dívida por meio da DRU (Desvinculação das Receitas da União).

O jornal Correio Braziliense também mostra a posse do novo presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, na qual ele avisou que aumentará os juros. Ou seja: confirmando também os alertas deste boletim já no ano passado – ainda durante o anúncio da atual equipe econômica – o "Regime de Metas de Inflação" continuará a ser seguido, mantendo-se, portanto, as altíssimas taxas de juros que poderão até aumentar ainda mais na próxima reunião do COPOM (Comitê de Política Monetária do Banco Central). Este Regime utiliza a taxa de juros como único instrumento de combate à inflação, mesmo que esta seja causada pelas tarifas públicas – controladas pelo próprio governo – ou alimentos.

Sobre a inflação de alimentos, cabe ressaltar que é inadmissível que um país como o Brasil, que produz alimentos para o mundo inteiro – inclusive para alimentar o gado dos países do Norte – não disponha de uma política de produção e estoques capaz de evitar altas de preços da comida.

Assim, o regime de metas de inflação continua determinando os juros mais altos do mundo, satisfazendo os rentistas, desestimulando o investimento produtivo, e assim, reduzindo a oferta futura de produtos, o que é novamente utilizado como justificativa para nova alta de juros, como em um círculo vicioso.

Não por acaso, rentistas estiveram presentes na posse e também se reuniram com Tombini e o ex-presidente Henrique Meirelles, e assim se manifestaram, conforme o jornal:

"Antes da transição de cargo, ocorrida na tarde de ontem, Tombini e Meirelles se reuniram com ex-dirigentes do BC e presidentes dos principais bancos do país. Todos saíram satisfeitos do encontro com o novo comandante da política monetária. "A escolha de Tombini denota a importância do sistema de metas e a conciliação do combate à inflação com as metas de crescimento", disse Luiz Carlos Trabuco, presidente do Bradesco. Roberto Setúbal, presidente do Itaú Unibanco também teceu elogios. "O país está bem servido com a escolha da presidente", avaliou.

Para Fábio Barbosa, presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e do Conselho de Administração do Santander, Tombini está indo no caminho certo, representa a continuidade do trabalho de Meirelles e a "consagração do sistema de metas de inflação".

Durante seu discurso de posse, Tombini ainda defendeu a redução da "meta de inflação" de 4,5% para 3% ao ano, ou seja: a política de juros altos terá de ser ainda mais aprofundada, para que a inflação fique em um patamar ainda menor.
05/Janeiro/2011
[*] http://www.divida-auditoriacidada.org.br/

O original encontra-se em http://www.cadtm.org/Brasil-governo-Dilma-anuncia

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .