sábado, 17 de abril de 2010

Mensagem

Lembra-te de que a força divina
sabe ver nas profundezas e,
com o arado do tempo, tudo corrige, reajusta e eleva,
sem necessidade da nossa apreciação individual.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Um tratado Indesejável

Por Mauro Santayana

Com todas as explicações, incluídas as do Itamaraty, em nota oficial, é inconveniente o Acordo Militar que o Brasil está pronto a assinar com os Estados Unidos. Podemos firmar acordos semelhantes com países que podem comparar-se ao nosso, mas não com aquela república. É lamentável que esse tratado seja negociado pelo atual governo.

Segundo a imprensa internacional, prevê-se a instalação de uma base norte-americana no Brasil. A última base americana em nosso chão se limitava ao acompanhamento dos primeiros satélites artificiais, em Fernando Noronha. Ela foi discretamente fechada em 1961, por iniciativa de Tancredo que, como primeiro-ministro, negou-se a prorrogar o convênio, sob o argumento de que ainda não obtivera a opinião das Forças Armadas. Geisel, em 1977, em pleno regime ditatorial, denunciou o Tratado Militar que tínhamos com Washington, e fora renovado em 1952, por iniciativa de João Neves da Fontoura, contra a opinião do ministro da Guerra de então, o general Estillac Leal – que se demitiu como protesto. É da restauração paulatina desse antigo Tratado que se trata.

Antes houve a base de Natal, no esforço comum da guerra contra a Alemanha nazista. Terminado o conflito, em 1945, Getúlio agradeceu muito a contribuição norte-americana e, mesmo com as pressões ianques a fim de manter o enclave militar, dispensou-os desse cuidado. Não havia necessidade de tanto dispêndio para a nossa hipotética proteção.

O fato é que as negociações para a instalação de uma base norte-americana no Brasil, para o combate às drogas, foram anunciadas, em Quito, pelo subsecretário de Estado para o Hemisfério Ocidental, Arturo Valenzuela, e repercutiram no exterior, em que pesem os desmentidos do Brasil. Apesar de sua cuidadosa linguagem diplomática, a nota oficial do Itamaraty não é suficiente para afastar as dúvidas: trata, em termos vagos e genéricos da “cooperação em assuntos da defesa” e intercâmbio no treinamento militar. Nós conhecemos essa antiga canção, que nos remete ao centro de doutrinamento ideológico do Panamá. Ali muitos de nossos oficiais foram moldados para a submissão aos interesses norte-americanos, em nome da divisão do mundo entre os bons (os ianques) e os maus (quaisquer outros que contestassem a sua hegemonia). Foram alguns deles, com Castello Branco, Lincoln Gordon, Vernon Walters, a Quarta Frota e a CIA, que fizeram o golpe de 1964.

Os vizinhos sul-americanos – e os parceiros do Bric – se inquietam, e com razão. Eles têm contado com a firmeza do Brasil em defender a soberania de nossos países contra qualquer presença militar estrangeira no continente, como ocorreu no caso da Colômbia. A mesma firmeza deveremos ter se, amanhã, a Venezuela aceitar bases russas em seu território, ainda que a pretexto de se defender de ameaça na fronteira.

Acordos dessa natureza devem ser discutidos, previamente, com a sociedade e com o Congresso. Doutor Rosinha, deputado do PT do Paraná, membro da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, estranha que seu órgão não tenha sido informado do andamento do processo de negociações, cuja iniciativa é debitada ao Ministério da Defesa.

Conviria ao ministro Nelson Jobim poupar-se de outro escolho biográfico – ele que deles anda bem servido – e explicar sua posição no episódio. A reação, no Congresso, é de perplexidade. É quase certo que o Poder Legislativo negue ratificação ao Tratado. Quando se estabelecem acordos de cooperação de defesa militar, pressupõe-se que haja inimigos comuns, a serem eventualmente combatidos. Não sabemos de que inimigos se trata. Certamente não serão a China, a Índia, nem a Rússia, nossos aliados estratégicos no Bric, e tampouco a Bolívia ou a Venezuela, bons vizinhos. É inadmissível pensar que venha a ser o distante Irã. Provavelmente, um dos interesses seja sabotar os nossos entendimentos com os parceiros do Bric, e da Unasul, que nos fortalecem no mundo.

Esse Tratado compromete o futuro do país e tem um motivo estratégico maior por parte de Washington, ainda que bem dissimulado e a prazo mais longo: o controle da Amazônia e a reconquista do poder colonial sobre o continente.

08/04/2010

Declaração quando se completam sete anos sobre a invasão e a ocupação do Iraque

Este arquivo é na visão portuguesa...

Passaram em 20 de Março sete anos sobre o início da invasão e da ocupação do Iraque por parte dos EUA, da Grã-Bretanha e de um grupo reduzido de aliados.

Não será demais repetir que se tratou de um acto ilegal, não autorizado pela ONU, e que eram falsas todas as motivações enunciadas para o justificar.

Tratou-se de uma agressão pura e simples contra um estado soberano, cujas instituições eram reconhecidas internacionalmente, com assento na ONU.

A invasão e a ocupação subsequente provocaram um número enorme de mortos (militares e civis), não inferior a 1 milhão e 200 mil, e um número indeterminável de estropiados, de torturados, de violentados por todas as formas; provocaram a destruição quase total das infraestruturas económicas e materiais, das escolas, das universidades, do riquíssimo património cultural da terra onde a civilização humana deu os primeiros passos; provocaram ainda uma enorme convulsão social, familiar, arruinando as estruturas de convivência e relacionamento entre as diversas componentes étnicas, culturais, religiosas da multicultural sociedade iraquiana.

O país constitui hoje um protectorado dos EUA, que já anunciaram a sua retirada, mas condicionada à sobrevivência de um regime “amigo” e à permanência de bases militares estrangeiras.

Esta guerra inseriu-se numa série ininterrupta de guerras que, desde o fim da Guerra Fria, os EUA vêm promovendo, assumindo-se desde então como garantes da “segurança global”, ou seja, garantes do seu projecto imperial, convertendo a NATO, de aliança alegadamente defensiva, em braço armado desse projecto, à escala planetária.

Portugal não participou militarmente na invasão do Iraque, mas apoiou-a política e diplomaticamente, pela mão do governo Barroso, que depois enviou uma força da GNR e um representante junto da administração provisória da ocupação.

Posteriormente, no âmbito da NATO, Portugal tem vindo a envolver-se progressivamente em teatros de guerra alheios aos interesses portugueses, especialmente no Afeganistão, colaborando e participando em estratégias que contrariam os princípios constitucionais em que assentam (em que devem assentar!) as relações internacionais do Estado Português: procura de solução pacífica para os conflitos, não ingerência nos assuntos internos de outros Estados, abolição do imperialismo e do colonialismo, dissolução dos blocos político-militares, reconhecimento do direito dos povos à autodeterminação e à independência, direito à insurreição contra todas as formas de opressão (art. 7.º da Constituição Portuguesa).

É no quadro destes princípios, que são imperativos, e não meras declarações retóricas, que as organizações signatárias, no espírito que tem presidido à actuação do Tribunal-Iraque português, entendem exigir ao Governo português:

1. A desvinculação frontal e expressa da política de colaboração com os ocupantes seguida quanto ao Iraque, e o seu empenhamento na promoção de uma política que devolva ao povo iraquiano a sua integral soberania;

2. A desvinculação da política de participação na ocupação do Afeganistão, com a retirada imediata de todas as forças militares para aí deslocadas;

3. A defesa empenhada, no âmbito de todos os fóruns internacionais, de políticas de apaziguamento dos conflitos, e de condenação do uso da força militar, nomeadamente no caso do Irão;

4. A condenação clara e firme da ocupação por Israel dos territórios “conquistados” em 1967, e do “sequestro” desumano e ilegal a que vem submetendo a população da Faixa de Gaza;

5. O reconhecimento do direito do povo palestiniano à insurreição contra a ocupação israelense, e a contribuição para a prestação de auxílio às populações palestinianas indefesas;

6. O reconhecimento de igual direito aos povos iraquiano e afegão contra a ocupação dos seus países conduzida pelos EUA;

7. O termo da utilização da base das Lajes para trânsito de pessoal e equipamento militar destinados aos teatros de guerra abertos pelos EUA no Próximo e Médio Oriente. A recusa de autorizar o alargamento do âmbito territorial e os fins de utilização da base, como pretendem as autoridades norte-americanas;

8. A colaboração plena na investigação dos chamados “voos da CIA” que cruzaram o espaço aéreo português ou que fizeram escala em Portugal, com vista à responsabilização, inclusivamente a nível criminal, de todos os que colaboraram ou participaram nessa prática ilegal;

9. A recusa de um conceito estratégico da NATO que de qualquer forma legitime esta organização a intervir militarmente contra as determinações estabelecidas pela Carta das Nações Unidas;

10. O cumprimento do preceito constitucional que preconiza a abolição dos blocos político-militares.

O Cortiço

Por David Coimbra

Ao caminhar por entre as artérias do Monumento ao Holocausto, no coração de Berlim, a cada passo aumentava minha admiração pelos alemães. Ali estava um povo que não se esquivava de suas culpas. Ao contrário, as purgava em público e em voz alta.
Os mesmos passos me faziam pensar nos brasileiros. Nós aqui, ao que parece, não nos aflige culpa alguma. Do que o brasileiro se envergonha, afora a derrota na Copa de 50? Pois é. Mas nós temos do que nos envergonhar. Temos também o nosso nazismo. O nosso holocausto.
Chama-se escravidão.
O Brasil foi o último país do mundo a abolir a escravidão, mas nem ao aboli-la lavou-se de sua desonra. Agora mesmo, no Rio de Janeiro flagelado, lateja essa dor. Pois quem são esses que morrem sufocados pela terra que se desprende dos morros cariocas? Descendentes de escravos e ex-escravos expulsos do Centro quando o Rio se transformou no que hoje é.
Você leu O Cortiço, de Aluísio Azevedo? Bom livro. Não devia ser obrigatório nas escolas, devia ser tratado como romance para iniciados. O Cortiço conta a história de um imigrante português que, como se dizia então, “amasiou-se” com uma escrava para somar suas economias às dela. Juntos, os dois e seus dinheiros, melhoraram a bodega dele e investiram em quartos de aluguel. Montaram um cortiço aos moldes de tantos que havia no Rio do século 19, o mais célebre deles chamado Cabeça de Porco, de propriedade do Conde D’Eu, ilustre marido da Princesa Isabel. O que não deixa de ser irônico – entre os 4 mil moradores do cortiço do marido, havia inúmeros ex-escravos libertados pela esposa.
Essa gente não teve mais onde morar a partir do começo do século 20, quando a prefeitura do Rio botou abaixo os cortiços. O prefeito Pereira Passos, inspirado nas reformas feitas em Paris décadas antes, rasgou avenidas, abriu largos arejados, mudou a face da cidade. Os moradores dos cortiços, muitos deles, foram para a zona norte. Outros, que precisavam morar perto do Centro, onde trabalhavam para os senhores brancos e bem alimentados, esses ficaram por perto: subiram os morros do entorno, construíram casebres com as sobras das demolições protagonizadas por Pereira Passos, formaram as favelas como as conhecemos.
Essa gente pingente das favelas não foi libertada da escravidão; foi atirada à liberdade. Para eles, nunca houve planejamento, muito menos investimento. Hoje, Lula dá certa atenção a esses desgraçados. Não é o ideal, claro que não. Porque não é uma ajuda estratégica; é uma ajuda tática. Mas, ao menos, é algo. Para quem não tinha nada, talvez seja muito. Por isso, Lula foi amassado pela vaia do Maracanã, na abertura do Pan em 2007. Vaiaram-lhe os brancos e bem alimentados, os moradores da planície, que olham para o alto, para o morro, com medo.
Hoje, os brancos e bem alimentados da planície olham de novo para o morro. Aquela gente parda, aquela gente que passa os dias de bermuda e sem camisa, que mora em barracos construídos com pedaços de qualquer coisa, aquela gente teima em chamar a atenção. Às vezes roubando, às vezes matando e às vezes, como agora, morrendo. Inconvenientes, é o que são. Vivem a nos lembrar que em nós, também, pode haver culpa.

Fonte: Zero Hora - Porto Alegre

domingo, 11 de abril de 2010

Tragedia Anunciada


Fico ouvindo e vendo as imagens da tragédia no Rio de Janeiro e não posso esconder minha indignação.
Todos os anos as manchetes de jornais, revistas, rádios e emissoras de televisão são as mesmas: “TRAGEDIA ANUNCIADA”.
Trabalhadores incansáveis, pagos ou voluntários se desdobram para salvar vidas.
Famílias inteiras são levadas pela lama e pela inércia dos donos do poder que nunca investem em obras para resolver o problema dos pobres.
E os pobres de mostram solidários.
E os pobres choram suas dores na frente das câmeras de televisão que parecem gostar da tragédia e alguns repórteres fazem perguntas idiotas tentando arrancar um depoimento mais doído para aumentar pontos no ibope.

E o que fazem os políticos.
A maioria nem sequer toma conhecimento, afinal, moram em mansões que não correm perigo de desabar, em sua grande maioria, construída com o dinheiro roubado dos cofres públicos e que poderia ter sido investido para evitar tanto sofrimento.

E eles precisam dos pobres somente de quatro em quatro anos.
O prefeito e o governador quase sempre visitam o local e prometem que naquele local isto nunca mais vai acontecer e que vão resolver os problemas das vitimas.
Balela.
Porque a imprensa não procura os atingidos das tragédias anteriores para verificar se a vida de quem sofreu alguma perda foi amenizada? Se deixaram de morar em área de risco, se o governo providenciou uma moradia digna para todos os desabrigados?
Tenho certeza absoluta que os “herdeiros” das desgraças passadas continuam sofrendo suas perdas até hoje.
Pergunte aos pobres de Angra do Reis que foram atingidos, se alguma coisa mudou?
O grande problema do nosso país é que o povo tem memória curta.
As tragédias são facilmente esquecidas.
Em julho, todos estarão com os olhos e ouvidos na África.
Estarão vibrando com as jogadas dos bilionários da bola, que em sua grande maioria jogam apenas pelo dinheiro, e quando perdem um pênalti na final de um campeonato, simplesmente diz que lamenta e que é coisa do futebol.
E daqui as dois anos a cidade da tragédia e o estado dos deslizamentos será a “cidade das olimpíadas”.
Eu estarei torcendo para que o brasil não passe da primeira fase.
Eu continuarei escrevendo que sou contra a olimpíada no brasil.
Eu continuarei escrevendo que sou contra a copa do mundo no brasil.
Se estes dois eventos fossem lucrativos para o país sede, com certeza não seriam disputados em paises do terceiro mundo.
Que é lucrativo para alguém não resta a menor duvida.
Dois eventos que serão realizados para a elite que não está nem aí para o sofrimento dos pobres.
O que mais me irrita nestes eventos são os chamados Voluntários.
Pobres que se sujeitam a trabalhar de graça enquanto uma minoria rouba o dinheiro das obras superfaturadas.
Um assalariado terá dinheiro para assistir os jogos?
Poderá faltar ao trabalho para ver o espetáculo de ricos?
Porque nos asilos os voluntários não aparecem?
Enquanto a maior parte da população, os pobres, não conhecerem sua força e nas urnas fizerem uma mudança geral no Congresso Nacional, pouca coisa vai mudar neste país.
Enquanto famílias de políticos sacanas continuarem tendo seus sobrenomes no cenário nacional, o nosso país vai continuar sendo de terceiro mundo para os “filhos desta pátria, mãe gentil” e de primeiro mundo para uma minoria que sabe como ninguém manipular a vontade da massa votante.
É preciso eleger deputados e senadores que nunca tiveram um mandato. Se for mais um ladrão, pelo menos, levará algum tempo antes de se tornar profissional como os atuais.
Faço questão deixar bem claro, existem as exceções.
Na disputa presidencial, sou a favor da continuidade do projeto atual, apesar dos erros e dos conchavos que se faz para governar, não vejo motivos para mudar.
Não podemos deixar os herdeiros da era FHC voltar ao poder.
Se isto acontecer será uma outra grande TRAGEDIA ANUNCIADA.

Escrito por Geralda Estáquio Ribeiro

Eu digo ainda mais, não devemos votar em ninguém, pois os partidos políticos já trazem pessoas viciadas ao erro.

Nem tudo mudou para melhor...

Tudo mudou... O mundo não é mais o mesmo... Novos tempos...
Realmente a sociedade sofreu grandes mudanças ao longo dos tempos. Novos hábitos foram incorporados, novos recursos tecnológicos e médicos têm ajudado o homem em suas tarefas e em suas lutas contra inimigos naturais.
Mas será que tudo mudou para melhor? Se o foco é a qualidade de vida, a resposta é desanimadora. Isso porque o homem ainda é o mesmo, vítima do egoísmo, da materialidade, do orgulho, do hedonismo. Relaciona-se mal com Deus e com o próximo. Como o que é mau é aquilo que sai de dentro e não o que vem de fora, o homem sofre com as próprias maldades...
Veja abaixo a crônica – O PARADOXO DE NOSSO TEMPO – , divulgada pela Rádio Jovem Pan, pela primeira vez em 1999; novamente divulgada em 2009, mostra-se muito atual, indicando que, após 10 anos, o paradoxo continua o mesmo...

“Hoje temos edifícios mais altos, mas pavios mais curtos.
Auto-estradas mais largas, mas pontos de vista mais estreitos.
Gastamos mais, mas temos menos.
Nós compramos mais, mas desfrutamos menos.
Temos casas maiores e famílias menores.
Mais conhecimento e menos poder de julgamento.
Mais medicina, mas menos saúde.
Bebemos demais, fumamos demais, gastamos de forma perdulária, rimos de menos, dirigimos rápido demais, nos irritamos facilmente.
Ficamos acordados até tarde, acordamos cansados demais...
Multiplicamos nossas posses, mas reduzimos nossos valores.
Falamos demais, amamos raramente e odiamos com muita frequência.
Aprendemos como ganhar a vida, mas não vivemos essa vida.
Fizemos coisas maiores, mas não coisas melhores.
Limpamos o ar, mas poluímos a alma.
Escrevemos mais, mas aprendemos menos.
Planejamos mais, mas realizamos menos.
Aprendemos a correr contra o tempo, mas não a esperar com paciência.
Temos maiores rendimentos, mas menor padrão moral.
Tivemos avanços na quantidade, mas não em qualidade.
Esses são tempos de refeições rápidas e digestão lenta, de homens altos e caráter baixo, lucros expressivos, mas relacionamentos rasos. Mais lazer, mas menos diversão. Maior variedade de tipos de comida, mas menos nutrição.
São dias de viagens rápidas, fraldas descartáveis e moralidade também descartável e pílulas que fazem de tudo: alegrar, aquietar, matar.”

Na Semana Santa revivemos o Mistério da Vida, Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo. A figura central é Cristo, que veio para mudar o homem, fazê-lo novo, mas o homem resiste em converter-se, prefere permanecer o mesmo velho homem, prisioneiro de suas próprias mazelas, de suas fraquezas. Encanta-se com o progresso, mas não cuida da saúde da sociedade, que se vai degenerando em maldades, vícios, conflitos, injustiças; a vida continua ameaçada, desrespeitada, abusada; as desigualdades sociais crescem e a igualdade de direitos parece algo distante. Cristo ressuscitou, provou que é possível acabar com a cultura da morte e fazer proliferar a da vida em abundância. Mas isso depende muito do homem...

Fora com qualquer base norte-americana no Brasil

por PCB [*]

Primeiramente, não sigo algum partido política, mas acho interessante a notícia...

O Partido Comunista Brasileiro manifesta sua preocupação e, ao mesmo tempo, seu repúdio veemente às negociações entabuladas pelo governo Lula com o governo dos Estados Unidos, visando instalar uma base militar de inteligência no Brasil, possivelmente no Rio de Janeiro e/ou na região da Tríplice Fronteira. Seu pretexto oficial seria o de auxiliar a vigilância e o combate ao tráfico de drogas e ao "e;terrorismo"e; no Atlântico Sul.

Porém, uma série de fatores nos leva a crer que a base não visa apenas atingir os fins oficialmente propostos. Em primeiro lugar, porque se tornou comum os Estados Unidos tentarem encobrir a intervenção em outros países para defenderem os seus interesses, com a desculpa de combater o tráfico de drogas e o chamado terrorismo, conceito em que incluem a insurgência e a autodefesa dos povos.

Outro motivo para a instalação de uma base militar em território brasileiro - fato só ocorrido na 2ª Guerra Mundial, quando os Estados Unidos instalaram uma base aérea em Natal para abastecimento e envio de tropas que combatiam o perigo nazi-fascista - se insere na lógica norte-americana de aumentar a militarização crescente da América Latina, como forma de criminalizar e combater as lutas populares.

Nos últimos anos, os Estados Unidos ampliaram sua presença militar na América Latina, através da expansão de suas instalações militares em países limítrofes à Venezuela, cercando este país com bases na Colômbia, Curaçao e Antilhas Holandesas.

Coerente com sua política de militarização da América Latina, como forma de frear as lutas populares e de olho grande nos imensos recursos naturais da região, os Estados Unidos reativaram recentemente a sua IV Frota Naval, desativada desde a década de 1950.

Por fim, será muita "e;coincidência"e; a possível instalação de uma base ianque no Rio de Janeiro, Estado em cuja plataforma marítima se localizam as maiores reservas brasileiras de petróleo, inclusive as do pré-sal. Sabe-se muito bem que as intervenções militares norte-americanas têm sido motivadas, em muitos casos, pela tentativa de controlar as reservas de petróleo (de que os Estados Unidos são os maiores consumidores e dependentes), cujos estoques são cada vez mais escassos.

Pelas razões expostas, o Partido Comunista Brasileiro exige a suspensão imediata dessa negociação. O governo brasileiro não pode ceder qualquer milímetro do território nacional, sobretudo a uma potência imperialista que, para defender seus interesses, se comporta como a polícia do mundo, julgando-se no direito de invadir países, derrubar seus governos e expropriar suas riquezas naturais.

O PCB conclama o conjunto das forças e personalidades anti-imperialistas brasileiras a se somarem num expressivo repúdio a esta vergonhosa negociação.

Rio de Janeiro, 9 de abril de 2010
PCB – Partido Comunista Brasileiro, Comitê Central
Obs.: No momento em que fechávamos a edição desta Nota Política, começaram a chegar notícias de que as negociações se concluíram e que o acordo será assinado na próxima semana, talvez já nesta segunda-feira, em Washington, entre o indefectível ministro de Defesa de Lula, Nelson Jobim (cada vez mais forte no governo), e o secretário de Defesa de Obama, Robert Gates. Estamos apurando essas notícias. Caso sejam verdadeiras, voltaremos a nos pronunciar brevemente sobre o tema.
Ivan Pinheiro, Secretário Geral do PCB

O original encontra-se em www.pcb.org.br